Publicado em Fatos do dia-a-dia, Meditações

Entre 4 paredes (2)


Amados,

Tenho recebido emails, solicitando a minha opinião sobre o programa de Tv Big Brother. Seus participantes. Seus comentários. E ainda, se nós como cristãos, evangélicos, devemos assistir programas dessa natureza. Por isso, resolvi, antes de fazer qualquer comentário particular, levantar informações, dados mais específicos para entender os objetivos de tipo de entretenimento. E, por isso, desenvolvi uma sequência de pequenas leituras para a nossa reflexão. Ao ler o artigo “Confinamento: uma fábrica de ‘loucos’” (abaixo reproduzido), que mostra alguns detalhes que muitos desconhecem (inclusive eu!!) dos quais venho pesquisando. Suas autoras, Francine Moreno e Vivian Lima, entram nesse estudo apresentando uma palavra chave: “confinamento”. Apresentam os conceitos de confinamento voluntário, semi-voluntário e involuntário. A busca para aparecer e se tornar uma celebridade.

Convém fazer uma leitura deste artigo!

Pastor Derville

Confinamento: uma fábrica de ‘loucos’

Francine moreno e Vívian Lima

A dependência emocional, o estresse extremo e a sensação de que o tempo não passa tornam difícil e arriscada a convivência de pessoas que vivem em confinamento. O olhar de alguns participantes do Big Brother Brasil, por exemplo, muitas vezes causam medo até em quem está do lado de fora da casa. Os “brothers” são afetados por um mal típico dos reality shows, definido como “síndrome do confinamento”, cujos sintomas são depressão, insônia, choro constante e alternância de humor. Mas não é só lá que as pessoas são lesionadas. O trabalho e o casamento são modelos de situações que carregam algumas características de confinamento, que sugam energia emocional igual ou maior.

Do ponto de vista psicológico, o enclausuramento voluntário agrava os sintomas. Muitos precisam tomar medicamentos quando saem do trabalho, têm a sensação de estar sendo vigiados ou perseguidos pelos parceiros e a falsa impressão de que o universo se resume aos seus problemas. A principal função da assistência psicológica é justamente evitar surtos. “Sem parâmetros, as pessoas tendem a confundir valores éticos e morais que condizem com sua realidade social e familiar”, afirma o psicoterapeuta e psiquiatra da USP e fundador do Centro de Estudos da Identidade do Homem e da Mulher, Luiz Cuschnir.

A pressão da concorrência faz com que os nervos fiquem à flor da pele e os defeitos aflorarem. Quem costuma fingir ou criar um personagem acaba se “revelando” com o passar dos dias. No caso do Big Brother, a paranoia de estar sendo vigiado 24 horas por dia por câmeras – ou por um supervisor que a todo momento surpreende os “brothers” com uma bronca -, somada à busca pela fama ou promoção, podem acabar criando “loucos”. “A máscara, algo só superficial ou falsificado, é uma questão do custo que a pessoa tem para manter este papel de tolerante. Se perde muita energia com isso, adoece e tem crises intensas após muita repressão”, afirma Cuschnir.

Desistir da performance, de acordo com a psicanalista da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo, Marion Minerbo, doutora em psiquiatria pela Unifesp, é mostrar uma verdade: aquela pessoa não tem “estômago” para a luta de vida ou morte da qual está participando.

As provas de resistências diárias podem influenciar diretamente no humor e na personalidade. Elas estimulam e testam limites físicos, controle emocional, limitações, automatização, tolerância à frustração, capacidade de liderança, reação e resistência diante de problemas. Também afloram as limitações, expondo do que cada um dá conta naquele contexto. “É a confusão entre a morte simbólica: anonimato de quem perde o jogo e a morte real. As pessoas que estão no jogo investiram para participar. Da mesma forma, alguém que investiu tudo na Bolsa e, em vez de ficar milionário, vê o dinheiro virar pó.”

O perfil das pessoas contribui para que as reações sejam sociáveis ou escandalosas. Homens e mulheres mais frágeis psicologicamente estão mais sujeitos a desequilíbrios. São eles que reagem mais rapidamente a situações de pressão ou estresse. Já pessoas que vivenciaram frustrações e aprenderam com elas ficam mais “aparelhadas” para enfrentar este tipo de desafio. “O ambiente à sua volta dá modelos de como ser e como não ser em situações de estresse. Se houver uma recuperação adequada após cada uma, a pessoa vai se preparando para a realidade e tende a ter mais controles emocionais disponíveis”, afirma Cuschnir.

Apesar da bondade ser vista com um certo receio por uma parcela de pessoas nos dias de hoje, Cuschnir levanta a bandeira branca. “Pessoas ‘boazinhas’ são as mais tolerantes e indicam uma capacidade maior de avaliar diversos pontos de uma mesma questão.” Nem sempre elas conseguem manter o tempo todo o equilíbrio, mas já indicam uma maior capacidade de continência. “É como um copo d’água e uma jarra maior. Uma contém mais água que a outra. São de diferentes capacidades de continência. Sem dúvida podem ter mais sucesso no convívio e harmonia social”, revela.

O diagnóstico de Luiz Cuschnir é de que não apenas integrantes de reality shows, mas todos homens e mulheres podem precisar de ajuda quando passam por uma pressão ou prova. O especialista pede ampliação da capacidade de visão de cada situação para que se tenha possibilidade de refletir sobre o que está ocorrendo. Se está se propondo a ser mais tolerante do que consegue, precisa rever se não está perdendo energia em outros aspectos. “É uma questão de custo de energia psíquica, que pode trazer muitos danos ao indivíduo se ele não tiver realmente capacidade para tal”, afirma.

Contudo, a experiência do confinamento e da exposição pública da privacidade não é negativa para todos. “Se por um lado há aspectos negativos, por outro há alguns positivos, como por exemplo a experiência de convivência que eles passam, a identificação de comportamentos inadequados e a possibilidades de mudá-los”, afirma a psicóloga cognitivo-comportamental, Irene Araújo Corrêa. “Isso indica flexibilidade e autoconhecimento.”

Trabalhe as estratégias previamente

Não existe uma fórmula mágica para o controle emocional, mas há estratégias que podem ajudar a adquirir e viver em harmonia diante de um confinamento voluntário. Com o autoconhecimento, por exemplo, a pessoa passa a ter uma visão mais realista de suas necessidades, seus limites, seu papel e, com isso, desenvolve amor próprio. Outro ganho importante do autoconhecimento é aprender a lidar com clareza e assertividade com as emoções e o espaço dos outros. “É óbvio que, além disso, é importante trabalhar a capacidade de entendimento, paciência, tolerância, aceitação e perdão”, afirma a psicóloga cognitivo-comportamental, Irene Araújo Corrêa.

Manter a harmonia social é resultado de compaixão, bondade, respeito a dor ou à alegria do outro. Entre as soluções está a resolução das diferenças. “Pessoas que tenham empatia e que não se deixem levar pela maldade, ira, raiva ou pela necessidade de vingança”, revela a psicóloga.

Também não existe um ponto-limite para que o emocional não seja abalado, mas existe uma base de controle que são as estratégias traçadas antes de entrar em qualquer confinamento ou disputa: relaxamento, meditação e levantamento de metas e prioridades que devem ser trabalhadas previamente, pois, no confinamento, diante das dificuldades e das exigências emocionais, a percepção dos limites se embaralha. “Um profissional, por exemplo, que tenha uma percepção de si como pessoa forte, pode descobrir limitações que o surpreendam. Jogando isso para ambiente dos reality shows, isso pode levar o participante a um desequilíbrio emocional porque ele começa a buscar razões que expliquem o porquê de não ser compreendido ou visto como se vê.”(FM)

Dilemas levam a situações-limite

Até que a convivência em um grupo se torne coesa, muitas etapas têm de ser vencidas. O psicólogo e gestalt-terapeuta Hugo Ramón Barbosa Oddone explica que o primeiro passo quando se chega a um grupo é a busca por identidade. Isso significa saber o que está se fazendo neste grupo e buscar a aceitação. Em seguida, vem a fase de acertar as arestas individuais, quando se mostram unhas e dentes para aquilo que não se aceita. “Graças a esta reação expressiva e generalizada de conflitos, o grupo adquire um novo formato, mais condizente com as verdades singulares.”

Em um terceiro momento, surge a coesão, a confiança. “Finalmente a pessoa pode ‘desnudar-se’ sem medos.” Contudo, mesmo depois de ter construído uma cultura em grupo, ainda há espaço para as novidades. “Sempre haverá mais alguma coisa para ‘descamuflar’”.

Para o psicólogo, todas as situações, sejam elas vividas no dia a dia ou impostas por um reality show como o BBB, são extremas. “Cada pequeno ou grande dilema humano pode se transformar em situação-limite, com grande potencial de mostrar o melhor e o pior que temos.”

A professora do Departamento de Psicologia da Universidade Federal de São Carlos, Maria de Jesus Dutra dos Reis, explica que acontecimentos cotidianos podem revelar as faces das pessoas. E dá um exemplo. “Você pode achar que não tem preconceitos, mas sentir rejeição, segurar sua bolsa se aparecer um mendigo.”

Na opinião de Maria, não é porque uma pessoa nem sempre se revela totalmente ou não diz tudo o que pensa que ela pode ser considerada falsa. Para a professora, a convivência envolve limites. “Há a identidade pessoal, ‘o que eu quero’, e há o outro. E essa negociação deve ser baseada no respeito, no limite.”

‘As pessoas são complexas’, diz Alberto Py

Em situações do cotidiano, nos deparamos com caracteríscas de confinamento, como o tolhimento da liberdade. O psiquiatra e psicanalista Luiz Alberto Py, que foi assessor das três primeiras edições do Big Brother Brasil (BBB), fala como esses confinamentos do dia a dia aparecem, traça um paralelo entre eles e aquilo que se vê no reality show e aponta formas de como os conflitos comuns aos relacionamentos íntimos podem ser solucionados.

Diário da Região – Como podemos definir o que é o confinamento?

Luiz Alberto Py – Confinamento é uma restrição de liberdade, que pode ser voluntária, no caso do trabalho, do casamento, e involuntária, no caso da prisão. Ou até semivoluntária, quando há algo como o Big Brother, quando a pessoa, na verdade, não tem noção do que seja o confinamento. Ela só vai entender isso quanto passar pela experiência.

Diário – O que o confinamento gera?

Py – Toda situação de confinamento traz um excesso de vínculo emocional com o ambiente do seu confinamento. No Big Brother, isso é muito visível, mas eu posso dizer que vejo, por exemplo, clientes meus que trabalham em uma determinada empresa e as pequenas bobagens que acontecem lá passam a ter muita importância. A pessoa volta para casa, mas passa muito tempo ali e aquilo começa a ter uma relevância é enorme.

Diário – Há experiências de confinamento no cotidiano?

Py – A primeira experiência de confinamento que todos nós temos é o ambiente do lar. No começo da vida, é um confinamento muito intenso, você tem uma relação extremamente forte, marcante com pai, mãe, irmãos. O mundo se resume ao pai e mãe, mas depois vai se expandindo. Para o adolescente, a casa é um confinamento, o colégio também é outra situação de confinamento, onde os pequenos acontecimentos se tornam grandes porque ali é o mundo da pessoa. De uma maneira geral, os grupos de amigos também representam um confinamento afetivo que ocorre com muita frequência.

Diário – O casamento pode ser considerado uma forma de confinamento?

Py – Não diria confinamento, mas ele tem uma característica do confinamento: o tolhimento da liberdade. Você concorda em abrir mão de parcela da sua liberdade. Quando você casa, em geral, assume um compromisso de exclusividade sexual com o parceiro. Um compromisso seríssimo e difícil de ser cumprido.

Diário – É possível apontar outros sintomas do confinamento? As situações de estresse que a gente vê nos reality shows, é o confinamento que produz?

Py – Cada pessoa sente de um jeito diferente, reage de um jeito diferente. O confinamento pode potencializar ou desencadear uma coisa que já existe, é a potencializaçao dos sintomas. Numa situação de confinamento, vai aparecer a doença escondida das pessoas. Havia uma preocupação no Big Brother de fazer o acompanhamento psicológico dos participantes porque eles temiam que a loucura, psicose de alguém se manifestasse naquele situação propícia, uma situação que potencializa a vinda à tona de problemas emocionais que estão ali escondidos.

Diário – E por que os problemas se potencializam nessa situação?

Py – Porque é uma situação de desconforto, de aprisionamento, de perda de liberdade.

Diário – Além de potencializar problemas emocionais, é também a possiblidade para que as pessoas se mostrem verdadeiramente?

Py – É mais difícil se esconder se você tem uma câmera permanentemente em cima de você.

Diário – É possível saber, no BBB, quem é verdadeiro e quem é falso? E em nossas relações afetivas, no trabalho… dá para descobrir se alguém está jogando sempre?

Py – No Big Brother, eles usam a expressão jogar. E o que é jogar? No BBB, o objetivo é ficar na casa até o fim e ganhar o prêmio. Então é um jogo, é simples. Diferente do trabalho, por exemplo, onde há vários objetivos diferentes: ganhar dinheiro, subir na carreira. Só que há um lado muito ingênuo. Eles trabalham no sentido de enganar os parceiros de confinamento e se esquecem de que quem decide é o público. E eles não sabem do que o público gosta ou não.

Diário – No nosso dia a dia, há como distinguir quem é verdadeiro de quem faz cena?

Py – O que verdadeiro? As pessoas são complexas, são multifacetadas. Um dia sentem uma coisa, no outro dia sentem outra. Se tem uma coisa que se deve procurar é ser quem você é e torcer para que gostem de você. É melhor do que ficar tentando ser outra pessoa, porque talvez não gostem dela.

Diário – Na casa do BBB, existem câmeras que em algum momento vão mostrar quem realmente são aquelas pessoas. E na vida vida real?

Py – Eu falo que minha profissão é apresentar a pessoa a ela mesma. A gente não sabe quem a gente é direito.

Diário – É complicado achar que o outro vai ser sempre o mesmo?

Py – As pessoas mudam. A gente faz de conta que conhece as pessoas porque isso é confortável, prático. A gente gosta de prever quem é o outro, o que o outro vai fazer. Uma das coisas que mais incomodam as pessoas à nossa volta é ser imprevisível. Elas veem isso com recriminação. As pessoas querem que a gente funcione do mesmo jeito que os aparelhos. Como apertar um botão para a TV ligar. As pessoas não funcionam assim, nem os equipamentos às vezes funcionam.

Diário – Mas, às vezes, essa mudança das pessoas não é vista como traição?

Py – Mas não é uma traição. É a liberdade de ser quem ela quiser. A gente cobra muito que as pessoas sejam coerentes, mas o que se quer é que elas sejam previsíveis. Mas estamos descobrindo coisas novas, nos reinventando como pessoa. É incoerente mesmo.

Diário – E como solucionar as dificuldades de relacionamento que surgem em uma relação íntima, em um confinamento?

Py – Qualquer dificuldade de relacionamento precisa ser resolvida sem aflição, sem pressa, sem urgência. Dá tempo para que as coisas sejam digeridas, as feridas sejam cicatrizadas. A gente não é só defeitos nem só qualidades. Se a gente mostrou um defeito, está na hora de mostrar as qualidades. Ofereça suas qualidades em um relacionamento e procure poupar as pessoas de seus defeitos. Se algo estiver errado, esse é um caminho para ir consertando.

Busca pela celebridade instantânea

Programas como o Big Brother Brasil, da Rede Globo, têm a capacidade estrondosa de repercussão porque a curiosidade pela vida íntima aliada ao apelo sexual podem estimular as fantasias e preencher o vazio existencial de muitas pessoas.

A psicanalista da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo, Marion Minerbo, doutora em psiquiatria pela Unifesp, afirma que num ambiente onde tudo é imagem, homens e mulheres ficam desesperados por um pouco de realidade. “E o reality show oferece, supostamente, realidade”, afirma.

Para a especialista, o BBB se insere neste contexto em que se observa proliferarem vários tipos de reality shows, atendendo à demanda do público: desde a babá que ajuda pais a educar seus filhos; mães que trocam de família; decoradores que mudam casas; esquadrões da moda; ou o passo a passo de pessoas lutando por um emprego. “O público pode se identificar com esses vários temas. E o BBB tem um tema ainda mais específico: a pessoa comum que vira celebridade instantânea.”

Na sociedade atual, que já foi batizada de espetáculo, o anonimato é uma espécie de morte: se você não aparece, não é ninguém, não existe. O culto à celebridade é a outra face do horror ao anonimato. Ser uma celebridade passa a ser um objetivo, como se a celebridade estivesse mais viva do que os outros. “Todos querem ser caciques, ninguém quer ser só índio, ficar na plateia”, afirma Marion.

Antigamente, a celebridade era alguém que tinha feito alguma coisa especial, com muito esforço, por longo tempo, e tinha se destacado por seus atos. Hoje, as pessoas não conseguem sustentar projetos de médio e longo prazos, não têm paciência para investir tanto e nem acreditam que esse investimento possa dar os resultados esperados. A concorrência é enorme. “A possibilidade de virar celebridade em um mês é muito sedutora para parte das pessoas”, revela.

Fonte: http://www.diarioweb.com.br/novoportal/Divirtase/Comportamento/5563,,Confinamento+uma+fabrica+de+loucos.aspx
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Autor:

Pastor Titular da Igreja Caminhar em Cristo em Curitiba/PR - Brasil

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