Jejum é Colocar Deus em Primeiro Lugar

Jejum é Colocar Deus em Primeiro Lugar
Gordon Cove

No início da história da igreja, o jejum era considerado uma das colunas da religião cristã. Quando a igreja tinha poder, o jejum era uma parte essencial da fé.

Jejum não é mera abstinência de alimentos ou de qualquer outro prazer, por si mesma. É abstinência com propósito. Jejum significa que você chegou a um lugar de desespero espiritual.

Significa que está determinado agora a colocar Deus em primeiro lugar a qualquer custo. Há momentos quando devemos virar as costas a tudo no mundo, até mesmo à nossa alimentação, para buscar a face de Deus.

Jejum significa que estamos determinados a buscar a face de Deus e a ter respostas para nossas orações. Significa simplesmente que colocamos Deus primeiro, antes de tudo, inclusive do alimento.

Geralmente, jejuar significa abster-se do alimento, mas o mesmo espírito de desespero nos levará a nos abster de outras coisas também. Jejuar é voluntariamente abrir mão de algo que seja inofensivo em si mesmo, para o fim de crescer espiritualmente.

Não se aplica necessariamente só ao alimento. Aplica-se a qualquer coisa que o homem natural possa desejar.

Então jejuar significa colocar Deus realmente em primeiro lugar quando se ora, desejar Deus mais do que se deseja comer, mais do que dormir, mais do que ter comunhão com outros, mais do que correr atrás de negócios.

Como um cristão pode saber se Deus está em primeiro lugar na sua vida, se em algumas épocas ele não deixa todas as outras obrigações e prazeres para se separar inteiramente para buscar a face de Deus?

Expressão de Tristeza

O jejum também é uma expressão de tristeza. Isto é, tristeza sobre pecados pessoais, ou uma carga de intercessão pelas almas de outras pessoas. Um objetivo do jejum é mortificar o pecado.

Sua mente está perturbada e mal-humorada, seu coração endurecido, sua graça enfraquecida, e a corrupção carnal dominando? Orgulho, ciúme, ódio, amor pelo mundo, ou qualquer outra imundícia da carne ou do espírito o estão vencendo?

Jejum então é seu dever. Alguns demônios não saem, a não ser através de jejum e muita oração. Quando este for o caso, o jejum é o remédio certo, e deve ser usado como o principal instrumento.

Na Bíblia há muitos exemplos de jejum. “Então apregoei ali um jejum… para nos humilharmos perante o nosso Deus”, escreveu Esdras (8.21) a respeito de toda a nação de Israel. O jejum dos ninivitas, e o jejum que o profeta Joel ordenou, eram considerados elementos essenciais no arrependimento nacional. Os homens de Nínive jejuaram com pano de saco e cinzas, como símbolo de profunda tristeza nacional (Jonas 3.5-7).

Há momentos quando uma profunda experiência, uma profunda humilhação de arrependimento, nos faz rejeitar todo alimento e prazer natural. Na sua tristeza pelo pecado, ou pela profunda intercessão por almas perdidas, qualquer deleite fere a alma.

O Jejum Confere Uma Força Adicional à Oração

Oração sozinha pode ser algo muito superficial. O jejum é uma evidência da nossa sincera intensidade e do nosso fervor. Para fazer até mesmo uma oração normal, precisamos ter fé, pois é necessário que “aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe…” (Hb 11.6).

Mas para jejuar é preciso ter mais fé ainda. O jejum requer um desejo maior, uma determinação e uma fé maiores, e Deus observa isto quando vê seus filhos orando e jejuando.

Jejuar é deixar de lado todo peso e embaraço (Hb 12.1). Deixar os pesos é tirar todo empecilho à oração, e uma barriga cheia é um empecilho.

Experimente orar com estômago vazio, e veja o quanto é mais fácil prevalecer em oração. Quando começamos a orar e jejuar, significa que nos separamos seriamente à questão de orar com persistência, e que não aceitaremos ser negados. Sem dúvida alguma, o povo de Deus veria muito mais respostas à oração, se deixassem mais refeições e passassem o tempo em oração.

O jejum não só reforça a oração, e constitui-se uma prova de maior intensidade, mas o jejum por si só é uma oração. Jejum torna-se oração para o cristão que está voltado para Deus.

Entre outros benefícios espirituais que resultam do jejum, um dos maiores é que jejuar ajuda a gerar fé. Nossa incredulidade é muito maior do que reconhecemos. É como um inimigo invisível e poderoso.

Embora pareça difícil no princípio compreender, a própria fraqueza que se sente no jejum edifica nossa fé. Quando parece que estamos perdidos no escuro durante o jejum, e talvez o diabo venha cochichar que não está adiantando nada, esta é a hora em que sua fé está se edificando, pois Paulo diz: “Quando sou fraco, então é que sou forte” (2 Co 12.10).

Jejum é um auxílio poderoso para a oração. Se suas orações não são respondidas, acrescente jejum à oração. Você não buscou ao Senhor “com todo coração” enquanto não tiver separado um tempo prolongado de oração com jejum. Muitos cristãos oram há anos a respeito de certos problemas. Às vezes estas orações não são respondidas.

Mas em muitos casos onde o jejum foi acrescentado às orações, além de profunda consagração e sondagem do coração diante de Deus, a resposta tem chegado sobrenaturalmente. Quando ligada ao jejum, a oração tem um poder muito maior.

Não estamos afirmando que o jejum sozinho produzirá respostas milagrosas. Mas prepara o coração através de humilhação, de uma forma que nenhum outro meio pode fazer. Junto com o jejum virão poder e liberdade na sua ministração da Palavra, se você é um pregador.

Ao manter a carne em sujeição através do jejum, o espírito é vivificado – e o oposto também é verdadeiro. A tragédia é que tantos cristãos ainda continuem no seu estado espiritual sem poder, por não querem abrir mão das suas três refeições diárias, quando está ao seu alcance a chave da solução. Certamente, é necessário ter determinação para praticar o jejum, mas Deus não nos pediria para fazê-lo se fosse algo impossível.

Em Tempos de Crise “Santificai um Jejum”

Três vezes nos primeiros dois capítulos de Joel, Deus ordena o jejum (Jl 1.14; 2.12,15). O profeta Joel afirma que quando o momento é de desespero, Deus mesmo exorta seu povo a buscar auxílio dele. “Convertei-vos a mim de todo o vosso coração; e isso com jejuns…” (2.12). “Santificai (ou promulgai) um jejum” (1.14).

Isto nos ensina que é certo nestes momentos marcar um dia para que todos jejuem em conjunto. Algumas pessoas dizem que concordam em jejuar quando “o Senhor colocar o desejo no coração”. Mas as outras coisas na nossa vida não funcionam assim.

Não esperamos sentir o mover de Deus para comer. Não esperamos um toque do Espírito para pagar o aluguel. Que outro sentimento precisamos ter da parte de Deus, quando em tempos de crise, ele já ordenou três vezes em dois capítulos que o façamos!

“Convertei-vos a mim de todo o vosso coração; e isso com jejuns…” (Joel 2.12).

Jejum Intensifica a Oração

Jejum Intensifica Oração
Derek Prince

O melhor ponto de partida para um estudo da disciplina cristã do jejum encontra-se no Sermão do Monte. Em Mateus 6.1-18, Cristo dá instruções aos seus discípulos sobre três deveres interrelacionados: dar esmolas, orar, e jejuar.

Em cada um desses três, ele coloca a ênfase principal na motivação, e adverte contra a ostentação religiosa com vistas a impressionar os homens. Com esta ressalva, ele presume que seus discípulos praticarão regularmente a todos esses deveres. Sabemos isso pela forma como fala a respeito de cada um.

No versículo 2, ele diz: `Quando deres esmola…´ No versículo 6, ele diz: `Quando orares (singular, ou individualmente)…´; e no versículo 7: `E, orando, não useis (plural, ou em conjunto)´… No versículo 16, ele diz: `Quando jejuardes…´ (plural, ou em conjunto); e no versículo 17: `Tu, porém, quando jejuardes…´ (singular, ou individualmente).

Em nenhum dos casos Cristo diz: `se´, mas sempre `quando´. A mensagem inferida é clara. Cristo espera que todos seus discípulos pratiquem regularmente todos esses três deveres. Especialmente no caso da oração e do jejum o paralelo é exato. Se Cristo espera que seus discípulos orem regularmente, da mesma maneira espera que jejuem regularmente.

O jejum fazia parte do dever religioso entre os judeus na época de Cristo. Fora praticado continuamente desde o tempo de Moisés. Tanto os fariseus como os discípulos de João Batista jejuavam regularmente.

O povo ficou surpreso quando viram que os discípulos de Jesus não faziam o mesmo, e perguntaram o motivo. Suas perguntas e a resposta de Cristo se encontram em Marcos 2.18-20.

`Por que jejuam os discípulos de João e os dos fariseus, e não jejuam os teus discípulos? Respondeu-lhes Jesus: Podem os convidados para o casamento jejuar enquanto está com eles o noivo? Enquanto têm consigo o noivo, não podem jejuar. Mas o tempo virá em que lhes será tirado o noivo, e naquele dia jejuarão.´

A resposta de Jesus foi dada na forma de uma parábola simples. É importante interpretar a parábola corretamente. O noivo, como sempre no Novo Testamento, é o próprio Jesus. Os convidados são os discípulos de Jesus, a respeito de quem foi formulada a pergunta.

O período em que o noivo permanece com eles corresponde ao tempo de ministério de Cristo na terra, enquanto estava fisicamente presente com seus discípulos.

O período quando o noivo lhes seria tirado começou quando Cristo subiu de volta para o céu, e continuará até que ele volte para sua Igreja.

Enquanto isso, a Igreja como noiva está aguardando a volta do noivo. Este é o período em que vivemos agora, e a respeito do qual Jesus diz categoricamente: `Naquele dia jejuarão´ (os discípulos).

Nos dias em que vivemos agora, portanto, o jejum é uma marca do verdadeiro discipulado cristão, ordenado pelo próprio Jesus. O jejum não é endossado apenas pelos ensinamentos de Jesus, mas também pelo seu exemplo pessoal.

Imediatamente após seu batismo no Jordão por João Batista, Jesus foi levado pelo Espírito Santo a passar quarenta dias jejuando no deserto. Isto foi registrado em Lucas 4.1,2. De acordo com o texto, Jesus não comeu nada durante quarenta dias, mas não diz que não bebeu.

Também lemos que no final do período `teve fome´, mas não diz nada sobre sede. A conclusão mais provável é que se absteve de alimento, mas não de água. Durante este período de quarenta dias, Jesus entrou em conflito espiritual direto com Satanás.

Há uma diferença notável entre as expressões usadas por Lucas para descrever Jesus antes e depois do seu jejum. Em Lucas 4.1, ele diz: `Jesus, cheio do Espírito Santo, voltou do Jordão´. Depois do jejum, em Lucas 4.14, lemos: `Então, pelo poder do Espírito, voltou Jesus para a Galiléia´.

Quando Jesus foi para o deserto, já estava cheio do Espírito Santo. Mas quando saiu do deserto, depois do jejum, veio no poder do Espírito. Aparentemente, o potencial do poder do Espírito Santo, que Jesus recebeu no momento do seu batismo no Jordão, só foi liberado para uma plena manifestação após completar o jejum. O jejum foi a fase final da sua preparação que tinha de ser completada antes que pudesse entrar no seu ministério público.

As mesmas leis espirituais que se aplicaram no próprio ministério de Jesus, são válidas também no ministério de seus discípulos. Em João 14.12, Jesus diz: `…Aquele que crê em mim também fará as obras que eu faço…´

Com estas palavras, Jesus abre o caminho para seus discípulos seguirem o padrão do seu próprio ministério. Porém, em João 13.16, Jesus também diz: `… o servo não é maior do que o seu senhor, nem o enviado maior do que aquele que o enviou´.

Isto se aplica à preparação para o ministério. Se o jejum era uma parte necessária da preparação do próprio Jesus, deve ser uma parte importante também na preparação dos discípulos.

A Prática da Igreja Primitiva

Neste respeito, Paulo era um verdadeiro discípulo de Jesus. O jejum era uma parte essencial do seu ministério. Logo após seu primeiro encontro com Cristo na estrada para Damasco, Paulo passou os três dias seguintes sem comer nem beber (ver Atos 9.9). Daí em diante, o jejum era uma parte regular da sua disciplina espiritual.

Em 2 Coríntios 6.3-10, Paulo relaciona várias maneiras em que provou ser um verdadeiro ministro de Deus.

No versículo 5, duas destas maneiras que citou são: `nas vigílias, nos jejuns´. Vigília é passar sem dormir; jejum significa passar sem comer. As duas disciplinas foram praticadas por Paulo em diversas épocas a fim de tornar seu ministério plenamente eficaz.

Outra vez, em 2 Coríntios 11.23-27, Paulo volta a este tema. Referindo-se a outros homens que se colocaram como seus rivais no ministério, ele diz: `São ministros de Cristo? … Eu ainda mais…´ Em seguida, faz uma longa lista das diversas maneiras em que demonstrou ser um verdadeiro ministro de Cristo.

No versículo 27, diz: `Em trabalhos e fadiga, em vigílias muitas vezes, em fome e sede, em jejuns muitas vezes… Aqui também, Paulo liga vigílias com jejum.

A forma plural `em jejuns´, indica que Paulo se dedicava a freqüentes períodos de jejum. `Fome e sede´ refere-se a períodos em que nem comida nem água lhe estavam disponíveis. Os jejuns eram feitos quando havia comida, mas Paulo se abstinha deliberadamente por motivos espirituais.

Os cristãos do Novo Testamento não praticavam meramente o jejum individual como parte da sua disciplina pessoal. Praticavam-no também em conjunto, como parte do seu ministério público a Deus.

Como prova disso, temos o relato em Atos 13.1-3, onde vários profetas e mestres estavam orando e jejuando em Antioquia. Este tipo de atividade é descrito pela Escritura como `servir´ ou `ministrar ao Senhor´.

A maioria dos líderes cristãos ou das congregações hoje conhece muito pouco deste aspecto de ministério. Entretanto, na ordem divina, ministério ao Senhor vem antes do ministério aos homens.

Como fruto do ministério ao Senhor, o Espírito Santo traz a direção e o poder necessários para um ministério eficaz aos homens.

Foi assim em Antioquia. Enquanto aqueles cinco líderes oraram e jejuaram juntos, O Espírito Santo revelou que tinha uma tarefa especial para dois entre eles – Barnabé e Saulo (posteriormente chamado Paulo). Ele disse: `Separai-me agora a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado´.

Porém, não estavam prontos ainda para assumir a tarefa. Ainda precisavam da transmissão de graça especial e poder que seriam necessários para esta tarefa diante de si. Com este propósito, os cinco homens oraram e jejuaram juntos uma segunda vez.

Então, após o segundo período de jejum, os outros líderes impuseram as mãos sobre Barnabé e Paulo, e os enviaram para cumprir sua missão.

Desta forma, foi através de oração e jejum em conjunto que Barnabé e Paulo receberam, primeiro a revelação de uma tarefa especial, e segundo a graça e o poder necessários para cumpri-la. Inicialmente, enquanto todos estavam orando e jejuando juntos, Barnabé e Paulo, assim como os outros três, eram reconhecidos como profetas e mestres.

Mas após serem enviados para sua missão, foram descritos como apóstolos (ver Atos 14.4,14). Podemos dizer, assim, que o ministério apostólico de Barnabé e Paulo nasceu de oração e jejum feitos coletivamente por cinco líderes da igreja em Antioquia.

Eventualmente, esta prática de oração e jejum em conjunto foi transmitida por Barnabé e Paulo às congregações dos novos discípulos que foram estabelecidas nas diversas cidades como resultado do seu ministério.

O próprio estabelecimento de cada congregação foi realizado através da escolha de seus presbíteros locais, conforme descrito em Atos 14.21-23:

`E … voltaram para Listra, e Icônio e Antioquia, fortalecendo as almas dos discípulos, exortando-os a permanecer firmes na fé;… E, promovendo-lhe em cada igreja a eleição de presbíteros, depois de orar com jejuns, os encomendaram ao Senhor em quem haviam crido.´

Em Atos 14.22, estes grupos de crentes em cada cidade são citados apenas como discípulos. Mas no versículo seguinte, o autor os chama de igrejas. A transição de `discípulos´ para `igrejas´ foi efetuada pela designação de líderes locais para cada congregação, que eram chamados de `presbíteros´. Em cada caso, quando se designava presbíteros, oravam `com jejuns´.

É correto dizer, então, que o estabelecimento de uma igreja local em cada cidade era acompanhado por oração e jejum coletivos.

Olhando para os capítulos 13 e 14 do livro de Atos, podemos ver que oração e jejum praticado coletivamente era de importância vital no crescimento e desenvolvimento da igreja do Novo Testamento.

Foi através de orarem e jejuarem juntos que os cristãos primitivos recebiam direção e poder do Espírito Santo para decisões ou tarefas de importância especial.

Nos exemplos que mencionamos, isto ocorreu nos casos de: primeiro, a escolha e o envio dos apóstolos; e segundo, a escolha de presbíteros, e o estabelecimento de igrejas locais.

Como o Jejum Funciona

Há várias maneiras em que o jejum ajuda o cristão a receber direção e poder do Espírito Santo. Num sentido, jejum é uma forma de lamentar ou chorar.

Psicologicamente, ninguém sente prazer em chorar ou lamentar, assim como, fisicamente, ninguém gosta da idéia de jejuar. Entretanto, há momentos quando tanto o choro como o jejum são benéficos: o choro está entre as bem-aventuranças. Em Mateus 5.4, Jesus diz:

`Bem-aventurados os que chorar, porque eles serão consolados´. Em Isaías 61.3, o Senhor promete bênçãos especiais àqueles que choram e `estão de luto´ em Sião. Ele promete dar-lhes `uma coroa em vez de cinzas´, `óleo de alegria em vez de pranto, veste de louvor em vez de espírito angustiado…´

Estar de luto em Sião não é nem o remorso centrado em si mesmo, nem a tristeza sem esperança do incrédulo. Pelo contrário, é uma resposta ao toque do Espírito Santo através do qual o crente compartilha numa pequena medida a tristeza do próprio Deus a respeito do pecado e da estultice da humanidade.

Quando consideramos nossas próprias falhas e limitações, como cristãos, e quando olhamos além de nós mesmos para a miséria e maldade do mundo ao nosso redor, há motivo de sobra para esta espécie de luto.

Em 2 Coríntios 7.10, Paulo contrasta a tristeza segundo Deus com a tristeza sem esperança do incrédulo: `Porque a tristeza segundo Deus produz arrependimento para a salvação que a ninguém traz pesar; mas a tristeza do mundo produz morte´.

O luto segundo Deus como se descreve aqui produz a seu tempo o óleo de alegria e a veste de louvor.

Na velha aliança, Deus ordenou para Israel um dia especial a cada ano em que deviam `afligir suas almas´. Este dia era o Dia da Expiação. Em Levítico 16.31, o Senhor instruiu Israel a respeito deste dia: `É sábado de descanso solene para vós outros, e afligireis as vossas almas: é estatuto perpétuo.´

Do tempo de Moisés em diante, os judeus interpretaram isto como uma ordem para jejuar. Em Atos 27.9, é este Dia de Expiação anual que é chamado do tempo de Jejum. Dezenove séculos depois, com seu nome hebraico Yom Kippur, o Dia da Expiação ainda é observado pelos judeus ortodoxos no mundo inteiro, como um dia de jejum.

Em dois de seus salmos, Davi também fala do jejum desta forma. No Salmo 35.13, ele diz: `Eu afligia a minha alma com jejum…´ A palavra traduzida aqui como `afligia´ é a mesma palavra usada para `afligir as almas´ no Dia da Expiação. Outra vez, no Salmo 69.10, Davi diz: `Chorei, em jejum está a minha alma…´

Podemos combinar as várias expressões usadas e dizer que o jejum, conforme praticado nas Escrituras, é uma forma de luto, e um meio de se afligir e humilhar.

O jejum também é um meio que o crente pode usar para levar seu corpo a sujeição. Em 1 Coríntios 9.27, Paulo diz: `Mas esmurro o meu corpo, e o reduzo à escravidão, para que, tendo pregado a outros, não venha eu mesmo a ser desqualificado´.

Nosso corpo, com seus órgãos e apetites físicos, constitui um servo excelente, mas um mestre terrível. Portanto, é necessário sempre mantê-lo em sujeição.

Ouvi uma vez um colega pregador expressá-lo bem, quando disse: `Meu estômago não me diz quando devo comer, sou eu que digo a ele quando vou comer´. Cada vez que um cristão jejua para este propósito, está advertindo seu corpo: `Você é o servo, não o dono´.

Em Gálatas 5.17, Paulo desmascara a oposição direta que existe entre o Espírito Santo de Deus e a natureza carnal do homem: `Porque a carne milita contra o Espírito, e o Espírito contra a carne, porque são opostos entre si…´

O jejum lida com as duas grandes barreiras ao Espírito Santo que são erigidos pela natureza carnal do homem. São a teimosa vontade própria da alma, e os insistentes apetites autogratificantes do corpo. Praticado da maneira certa, o jejum leva tanto a alma como o corpo a se sujeitarem ao Espírito Santo.

É importante compreender que o jejum muda o homem, não a Deus. O Espírito Santo, sendo o próprio Deus, tanto é onipotente como imutável. O jejum quebra as barreiras na natureza carnal do homem que se colocam no caminho da onipotência do Espírito Santo.

Depois disso, com estas barreiras carnais removidas, o Espírito Santo pode operar desembaraçadamente na sua plenitude através das nossas orações.

Em Efésios 3.20, Paulo procura expressar o potencial inesgotável da oração: `Ora, àquele que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos, ou pensamos, conforme o seu poder que opera em nós…´

O poder que opera em e através das nossas orações é o Espírito Santo. Removendo as barreiras carnais, o jejum abre caminho para a onipotência do Espírito Santo operar o `infinitamente mais do que tudo´ das promessas de Deus. Existe de fato apenas um limite à onipotência de Deus, que é a eterna justiça de Deus.

O jejum nunca alterará os justos padrões de Deus. Se algo estiver fora da vontade de Deus, o jejum jamais conseguirá colocá-lo dentro da vontade dele. Se algo for errado e pecaminoso, ainda será errado e pecaminoso, não importa quanto tempo a pessoa tiver jejuado.

Há um exemplo disso em 2 Samuel 12. Davi cometera adultério, do qual resultou uma criança. Deus declarou que uma parte do juízo sobre seu pecado seria a morte da criança.

Davi jejuou sete dias, mas a criança ainda morreu. Jejuar sete dias não mudou o justo juízo de Deus sobre o ato pecaminoso de Davi. Se algo foi errado, o jejum não o consertará. Nada poderá fazer isso.

O jejum não é nem um truque nem uma solução universal. Deus não trata as coisas desta forma. Deus fez provisão completa para o bem-estar total do seu povo em todas as áreas das suas vidas: espiritual, física, e material. O jejum é uma parte desta provisão total.

O jejum não substitui nenhuma das outras partes da provisão de Deus. Igualmente, nenhuma outra parte da provisão de Deus substitui o jejum.

Em Colossenses 4.12, lemos que Epafras orou em favor de seus companheiros para que pudessem ser conservados `perfeitos e plenamente convictos em toda a vontade de Deus´.

Isto estabelece um padrão muitíssimo alto para todos nós. Um meio bíblico à nossa disposição para alcançar este padrão é o jejum.

Se quiséssemos representar simbolicamente a vontade de Deus para cada cristão, poderíamos desenhar um retângulo. Qualquer coisa fora daquele retângulo seria fora da vontade de Deus, e não conseguiríamos alcançá-lo por nenhum meio bíblico, seja por jejum, seja por outro meio qualquer.

Só teríamos a opção de alcançá-lo por meios carnais. Agora, dentro deste retângulo, a maior parte do que Deus tem para cada um de nós nunca é atingido, por várias razões. Alguns aspectos da vontade de Deus podem ser apropriados por oração sem jejum.

Porém, existem áreas que só podem ser apropriadas por oração e jejum combinados. Muitas das provisões mais especiais que Deus tem para seu povo estão enquadradas nesta categoria!

O Jejum: Complementos …

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É interessante observarmos que a Bíblia não contém nenhum mandamento que obrigue a prática do jejum. Entretanto, ela nos mostra que o jejum é um ato de humilhação diante de Deus. É uma forma de colocar a carne submissa ao Espírito.

É um tipo de exercício espiritual, disciplina espiritual, quando decidimos que, durante um espaço de tempo, vamos deixar de dar atenção à nossa necessidade física para nos dedicarmos aos interesses espirituais.

Alguns exemplos bíblicos nos mostram que Deus valoriza o jejum, quando o mesmo é feito de coração como uma oferta ao Senhor e não com a intenção de fazer negócio com Deus.

Vamos jejuar e oferecer esse jejum como culto ao Senhor. Se ele quiser nos abençoar pelo que fizemos, graças a Deus. Não estamos fazendo comércio espiritual.

Na Bíblia encontram-se muitos relatos e ensinamentos sobre o jejum:

- O povo de Nínive jejuou, ao mesmo tempo em que se arrependeu dos seus pecados e clamou pela misericórdia divina. Resultado: Deus perdoou aquela cidade, livrando-a da destruição que sobre ela viria. (Jonas 3).

- O profeta Joel convoca o seu povo para um jejum, com pranto e choro. Depois disso, o Senhor se compadeceria de seus servos e sobre eles derramaria o Espírito Santo. (Joel 2 e 3).

- O jejum, para ser válido, precisa estar associado a uma disposição de conserto do que está errado. (Isaías 58).

- Durante um jejum de 40 dias, Moisés recebeu uma grande revelação de Deus: os 10 mandamentos. (Êxodo 20).

- Após um jejum de 40 dias, Jesus iniciou seu ministério terreno. (Mateus 4).

- Jesus disse que algumas classes de demônios só são expulsos com jejum e oração. (Mateus 17:21).

- Durante um período de jejum, Daniel recebeu a revelação sobre as setenta semanas do fim dos tempos. (Daniel 9).

- Após um jejum de 21 dias, Daniel recebeu a visita de um anjo (ou do próprio Jesus?), que lhe trouxe grandes revelações de Deus. (Daniel 10).

Precisamos, urgentemente, de uma ação mais intensa do Espírito Santo em nossas vidas e em nossas igrejas. Vamos jejuar e orar e humilhar diante do Senhor (II Cron.7:14).

Vamos clamar pela sua misericórdia e por um derramamento da unção do seu Espírito sobre nós.

Para quem não tem conhecimento sobre o jejum, vão aqui algumas dicas: o jejum absoluto é a abstinência de alimento e de todo tipo de bebida durante um período determinado.

Quando o jejum dura mais de um dia, admite-se o consumo de água.

Assim, tem-se um jejum parcial. Pode-se, por exemplo, realizar um jejum mais curto: da hora em que se levanta, pela manhã, até o horário do almoço, ou até às 6 horas da tarde. Agora, se a pessoa se levanta às 11 e meia e vai almoçar ao meio dia, não fez nenhum jejum. Também não vale fazer uma refeição de manhã e dizer que vai jejuar o resto do dia. Outra maneira de se estabelecer o período de jejum é de zero hora de um dia até zero hora do outro dia. De fato, não existe uma regra. Cada um deve adotar o modo que lhe parecer mais apropriado.

Em Mateus 6, Jesus fala a respeito do jejum, dizendo que os fariseus, quando jejuavam, queriam que todos soubessem disso, a fim de serem considerados bons religiosos.

Por isso, Jesus disse que o jejum deve ser discreto. Quem está jejuando não deve fazer propaganda disso com a intenção de exibir sua “espiritualidade”. Quem faz assim não está jejuando, está passando fome. Mas isso não significa que o jejum seja algo secreto. Não significa que seja pecado dizer a alguém que se está jejuando. Em algumas situações isso pode ser necessário. Por exemplo, nada impede que o esposo diga à esposa que ele está jejuando, caso isso seja necessário.

Nos exemplos que mencionamos, vimos casos de jejuns coletivos. Logo, não eram jejuns secretos. O problema existe quando o revelamos com intenção de tirar alguma vantagem em cima disso.

Durante o jejum, é aconselhável que se dedique algum tempo à oração e à leitura da bíblia. Ficam como sugestões os textos mencionados acima. Ao final do jejum, faça uma oração antes da refeição, oferecendo ao Senhor o jejum realizado.

O jejum: tipos

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“Quando jejuardes, não vos mostreis contristados como os hipócritas; porque desfiguram o rosto com o fim de parecer aos homens que jejuam. Em verdade vos digo que eles já receberam a recompensa. Tu, porém, quando jejuardes, unge a cabeça e lava o rosto; com o fim de não parecer aos homens que jejuas, e, sim, ao teu Pai em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará.” (Mateus 6:16-18)

TRÊS TIPOS DE JEJUM

Jejum parcial – Daniel 10:3

Uma restrição na dieta e não uma abstenção completa. Este tipo de jejum pode servir de primeiro passo para as pessoas de compleição física fraca e para as que nunca jejuaram. A pessoa se abstém de certas refeições diárias e de certos alimentos.

Jejum absoluto – Atos 9:9

Neste tipo de jejum a pessoa se abstém de comida e bebida.

Não dura mais que três dias, pois ficar sem beber água durante muito tempo pode causar danos ao organismo.

Jejum sobrenatural – Deuteronômio 9:9; Êxodo 34:18; 1 Reis 19:8; Mateus 4:2.

Moisés e Elias fizeram jejum sobrenatural e tiveram um fim também sobrenatural. Deve-se ter certeza da vontade de Deus ao se fazer um jejum prolongado.

O jejum é para Deus somente, que nos vê em secreto. A motivação dele nunca será para nossas ambições pessoais mas para a glória do Senhor! Isaías 58 fala que o jejum agradável é aquele que Deus escolheu. O jejum, como a oração, deve ter sua origem em Deus para que tenha efeito.

Que o Senhor nos abençoe quando jejuarmos!

Um grande abraço

Lembre-se, estarei orando todos os dias da minha vida por você

Pastor Derville

O Jejum

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“Quando jejuardes, não vos mostreis contristados como os hipócritas; porque desfiguram o rosto com o fim de parecer aos homens que jejuam. Em verdade vos digo que eles já receberam a recompensa. Tu, porém, quando jejuardes, unge a cabeça e lava o rosto; com o fim de não parecer aos homens que jejuas, e, sim, ao teu Pai em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará.” (Mateus 6:16-18)

PARA QUE SERVE O JEJUM?

PARA SANTIFICAÇÃO INDIVIDUAL – Salmo 35:13; 69:10

Por trás dos pecados que nos dominam, dos fracassos pessoais, por trás dos muitos males que afetam a igreja e obstruem os canais da bênção de Deus, os choques de personalidade, temperamentos, por trás de tudo isto se encontra o orgulho do coração do homem. O jejum é um corretivo divino que prepara a terra, quebra o orgulho, disciplina o corpo e humilha a alma.

PARA QUE DEUS NOS OUÇA – Esdras 8:21-23; Neemias 9:1-3

O jejum dá asas à oração; dá poder nas petições (Jeremias 29:13,14; Joel 2:12). A oração é guerra contra as forças opositoras. O homem que ora com jejum testifica aos céus que quer aquilo que busca.

PARA FAZER COM QUE DEUS MUDE A DIREÇÃO DAS COISAS – Jonas 3:4,10; 1 Reis 21:27

Aqui uma cidade prevaleceu com Deus pelo jejum e oração. Deus enviou Jonas a Nínive para estender sua misericórdia aos ninivitas.

PARA SOLTAR OS CATIVOS – Isaías 58:6

Há aqui uma aplicação espiritual para os crentes de hoje. É uma luta que se trava nas “regiões celestiais”. Satanás é um adversário duro e não quer tirar sua mão das almas e corpos das pessoas, a menos que seja forçado a fazê-lo. O jejum provê esta força.

Fortalecimento do intercessor para forçar o inimigo a largar sua presa. Dá autoridade no momento em que se deve dar a ordem de libertação.

PARA DERROTAR O HOMEM FORTE – Isaías 49:24-25; Mateus 12:29; Lucas 11:21-23

Há casos de necessidade ao nosso redor. O Senhor quer que tenhamos a autoridade de enfrentar as forças ao nosso redor.

“Em meu nome expelirão demônios” (Mateus 17:21; Marcos 16:7).

PARA RECEBER REVELAÇÃO – Daniel 9:2,3,21,22

Daniel treinou-se desde cedo em sua alimentação (Daniel 1:8,11-16; 9:2,3). O Novo Testamento relata casos de jejum:

Pedro (Atos 10:10); Paulo (Atos 27:21-24; 2 Coríntios 11:27). Paulo jejuava com freqüência e o capítulo seguinte fala de suas revelações.

Nada nas Escrituras indica que devemos buscar sonhos e revelações; quando buscamos a Deus, podemos encontrá-las. Necessitamos constantemente da revelação de Deus para nossas vidas.

PARA SUBJUGAR O CORPO – 1 Coríntios 9:27; Êxodo 16:3

Deus nos deu o corpo e certos instintos básicos que incluem os apetites do corpo, mas requer que tenhamos o físico submisso ao espiritual. O cristão tem que saber distinguir a linha entre satisfazer os desejos normais do corpo e as demandas do espírito.

Paulo insistia em disciplinar o corpo para não “satisfazer os desejos da carne” (Romanos 13.14). “Revestir-se do Senhor Jesus”.

Para o discípulo o jejum é um exercício espiritual tão eficaz como a ginástica o é para o atleta.

Eliminação dos alimentos que viciam o corpo.

Um grande abraço

Estarei orando por você todos os dias da minha vida.

Pastor Derville