A Presença de Deus, o Poder de Deus


o_pulpito_de_bill_hybelsPor Bill Hybels

A oração é um ato antinatural

Desde o nascimento aprendemos as regras da autoconfiança en­quanto nos esforçamos e batalhamos para ganhar auto-suficiência. A oração vai contra estes valores profundamente estabelecidos. É um atentado à autonomia humana, uma ofensa à independência do viver. Para as pessoas que vivem apressadas, determinadas a vencer por si mesmas, orar é uma interrupção desagradável.

A oração não faz parte de nossa orgulhosa natureza humana. No entanto, em algum momento, quase todos nós chegamos ao ponto em que caímos de joelhos, inclinamos a cabeça, fixa­mos nossa atenção em Deus e oramos. Podemos até nos certifi­car de que ninguém esteja olhando, podemos ficar envergo­nhados, mas, a despeito de tudo isto, nós oramos.

Porque somos induzidos a orar? Creio que existem duas ex­plicações possíveis.

Rodeados pela presença de Deus

Oramos porque, por intuição ou experiência, compreendemos que a comunhão mais íntima com Deus só se obtém por inter­médio da oração. Pergunte às pessoas que enfrentaram tragédias ou provações, dor ou sofrimento profundo, fracasso ou derrota, solidão ou discriminação. Pergunte o que ocorreu em suas almas quando, finalmente, caíram de joelhos e derramaram o coração diante do Senhor.

Pessoas assim me confessaram: “Não consigo explicar, mas senti como se Deus me compreendesse.”

Outras disseram: “Senti-me rodeada por sua presença, ou senti um conforto e uma paz que jamais experimentei.”

O apóstolo Paulo viveu esta experiência. Escrevendo aos cris­tãos de Filipos, disse:

“Não andeis ansiosos de cousa alguma; em tudo, porém, se­jam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela ora­ção e pela súplica, com ações de graças. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e a vos­sa mente em Cristo Jesus” (Filipenses 4. 6-7).

Anos atrás, meu pai, ainda relativamente jovem e muito ativo, morreu vítima de um ataque cardíaco. Enquanto dirigia para a casa de minha mãe, em Michigan, eu ia pensando em como sobreviveria sem a pessoa que, mais que qualquer outra, acreditara em mim.

Aquela noite, na cama, lutei com Deus. “Por que foi aconte­cer uma coisa destas? Como vou entender o que aconteceu? Será que vou me recuperar da perda do meu pai? Se o Senhor me ama de verdade, como pode fazer isso comigo?”

De súbito, no meio da noite, tudo mudou. Foi como se eu tivesse dobrado uma esquina e me visse diante de uma nova direção. Deus falou comigo: “Eu sou poderoso. A minha sufici­ência é o bastante. No momento você pode ter dúvidas, mas confie em mim.”

Esta experiência talvez pareça irreal, porém os resultados fo­ram notáveis. Depois daquela noite cheia de desespero e de

lágrimas, jamais fui torturado por dúvidas, quer em relação ao cuidado de Deus para comigo, quer em relação à minha capaci­dade de viver sem meu pai. Pesar, sim, pois a morte dele me entristeceu demais e sentirei sua falta para sempre. Porém não me vi lançado à deriva, sem âncora e sem bússola. No meio da noite mais negra da minha vida, um instante íntimo e poderoso com Deus me proporcionou coragem, tranquilidade e esperança.

Um relacionamento íntimo

A oração nem sempre foi um dos meus pontos fortes. Durante muitos anos fui pastor de uma grande igreja e sabia muito a respeito de oração mas a praticava pouco em minha vida. Te­nho a índole de um cavalo de corrida bem treinado e os trancos da auto-suficiência e da autoconfiança me são bem conheci­dos. Eu não queria sair da pista e gastar tempo suficiente para descobrir o que é oração.

O Espírito Santo, porém, me deu uma orientação tão direta que fui incapaz de ignorá-la, discuti-la ou desobedecer-lhe: eu devia analisar, estudar e praticar a oração até entendê-la. Obe­deci. Li quinze ou vinte vezes os livros mais importantes a respeito da oração, novos e antigos. Estudei quase todos os textos bíblicos que tratam do assunto.

Depois, fiz algo totalmente radical: orei.

Há vinte anos comecei a separar um tempo para orar e minha vida de oração tem sido transformada. Minha maior satisfação não é uma lista de respostas miraculosas às minhas orações, embora tenha tido respostas maravilhosas. A maior emoção tem sido a diferença qualitativa em meu relacionamento com Deus. Quando comecei a orar, eu não sabia o que iria aconte­cer.

Meu relacionamento com Deus era um tanto ocasional. Não nos reuníamos para conversar com muita frequência. Agora, no entanto, todas as manhãs, passamos muito tempo juntos, por um longo período, não em conversas apressadas, mas em diálogo introspectivo, significativo. É como se eu tivesse passa­do a conhecer melhor a Deus desde que comecei a orar.

Se o Espírito Santo o está dirigindo a aprender mais a respeito da oração, com certeza você irá embarcar em uma aventura maravilhosa. À medida em que você for se fortalecendo na ora­ção, Deus irá se revelando mais e mais, soprando da vida dele em seu espírito. Atente para as minhas palavras: sua experiên­cia com a oração lhe trará mais satisfação e recompensa do que as respostas que você, com certeza, receberá. Comunhão com Deus, fé, segurança, paz, conforto – você se apossará destes sentimentos maravilhosos enquanto vai aprendendo a orar.

Um canal do poder de Deus

Através da oração Deus nos concede sua paz e este é um dos motivos pelos quais até as pessoas auto-suficientes caem de joe­lhos e derramam seus corações diante dele. No entanto, há um outro motivo. As pessoas são levadas a orar porque sabem que o poder de Deus flui, em primeiro lugar, para aqueles que oram.

Um grande número de textos bíblicos ensina que nosso Todo-Poderoso e Onipotente Deus está pronto, desejoso e apto para responder às orações de seus fiéis. Os milagres do êxodo de Israel do Egito e a jornada para a Terra Prometida foram respos­tas de oração. Como, também, os milagres de Jesus aquietando tempestades, providenciando alimento, curando enfermos e ressuscitando os mortos. À medida que a Igreja foi se constitu­indo, crescendo e se espalhando pelo mundo, Deus continuou a responder às contínuas orações dos cristãos buscando cura e livramento.

O poder de Deus é capaz de transformar circunstâncias e re­lacionamentos. Pode nos ajudar a enfrentar as lutas diárias.

Cura problemas físicos e psicológicos, remove obstáculos no casamento, supre necessidades financeiras, em suma, o poder de Deus opera em qualquer tipo de dificuldade, dúvida ou de­sânimo.

Alguém já disse que quando trabalhamos, nós trabalhamos, mas quando oramos, Deus trabalha. Seu poder sobrenatural encontra-se à disposição de pessoas que oram, convencidas até o âmago de que Ele se importa com elas. Os céticos podem argumentar que orações respondidas não passam de coinci­dências, como um arcebispo inglês comentou: “É impressio­nante como ocorrem coincidências quando se começa a orar.”

Mãos erguidas para o céu

Uma história do Antigo Testamento me convenceu, mais do que qualquer outro texto bíblico, que a oração traz resultados significativos. Encontra-se em Êxodo 17.8-13:

Então, veio Amaleque e pelejou contra Israel em Refidim. Com isso, ordenou Moisés a Josué: “Escolhe-nos homens, e sai, e peleja contra Amaleque; amanhã, estarei eu no cume do outeiro, e a vara de Deus estará na minha mão.”

Fez Josué como Moisés lhe dissera e pelejou contra Amaleque; Moisés, porém, Arão e Hur subiram ao cume do outeiro. Quando Moisés levantava a mão, Israel prevalecia; quando, porém, ele abaixava a mão, prevalecia Amaleque. Ora, as mãos de Moisés eram pesadas; por isso, tomaram uma pedra e a puseram por baixo dele, e ele nela se assen­tou; Arão e Hur sustentavam-lhe as mãos, um de um lado, e o outro, do outro: assim lhe ficaram as mãos firmes até ao pôr-do-sol. E Josué desbaratou a Amaleque e a seu povo ao fio da espada.

Moisés, o famoso líder de Israel, viu-se diante de uma crise. O exército inimigo aproximara-se do acampamento dos israelitas no deserto, pronto para derrotá-los.

Moisés, então, convoca o comandante mais hábil para discutirem a estratégia militar. Depois de tudo planejado, ele explica como será o ataque: “Josué, reúna amanhã nossos melhores soldados e leve-os até a planície, ao encontro do inimigo. Lute com coragem. Eu irei com dois homens até o alto do outeiro e erguerei minhas mãos para o céu. Orarei a Deus para que der­rame coragem, bravura, harmonia e proteção sobrenatural so­bre nossas tropas. Vamos ver como Deus vai operar.”

O poder de Deus é liberado

Josué concorda. Ele crê na oração e preferia receber o apoio da oração de Moisés do que seu apoio militar. Ocorre que, quando as mãos de Moisés estão levantadas para o céu, as tropas de Josué prevalecem na batalha, lutando com força divina e rechaçando o inimigo.

Como é de se esperar, no entanto, os braços de Moisés tor­nam-se cansados. Ele os deixa cair ao longo do corpo e põe-se a caminhar pelo outeiro, observando a batalha. Para seu pavor, o curso da batalha muda bem diante de seus olhos. As tropas de Josué estão sendo atingidas; o inimigo vai ganhando terre­no.

Moisés ergue novamente os braços para o céu e leva o proble­ma para o Senhor. Na mesma hora o ímpeto de luta mais uma vez volta em Josué e nos israelitas e os inimigos são repelidos. Então Moisés entende. Ele precisa manter os braços erguidos para o céu, em oração, se quiser abrir a porta para a interven­ção sobrenatural de Deus no campo de batalha.

Moisés descobriu naquele dia que o poder predominante de Deus é liberado através da oração. Quando eu comecei a orar com fervor, descobri a mesma coisa. Em resumo, se você está propenso a convidar Deus a se envolver em seus desafios diári­os, vai experimentar o poder predominante dele, em seu lar, nos relacionamentos, no trabalho, na escola, na igreja e onde for mais necessário.

Este poder pode se manifestar em forma de sabedoria, uma solução muito importante que você não consegue encontrar sozinho. Pode se manifestar em forma de coragem, em um grau bem maior do que você jamais vivenciou. Pode se manifestar em forma de confiança ou perseverança, de poder de resistên­cia incomum, de mudança de atitude em relação ao cônjuge, aos filhos ou pais, ou circunstâncias alteradas e talvez de mila­gres inconfundíveis. Qualquer que seja sua manifestação, o poder predominante de Deus é liberado nas vidas de pessoas que oram.

Manter o poder fluindo

O outro lado desta equação pessoal deve ser encarado com sensatez: é difícil para Deus liberar seu poder em sua vida se você enfia as mãos nos bolsos e diz: “Posso resolver tudo sozi­nho.”

Se agir assim, não se surpreenda quando, um dia, tiver a sensação desagradável de que o curso da batalha está contra você e que não há nada que possa ser feito para reverter a situação.

Pessoas que não oram separam-se do poder prevalecente de Deus e o resultado mais comum é a sensação tão conhecida de se encontrar arrasado, indefeso, abatido, maltratado, derrota­do. É surpreendente o número daqueles que estão propensos a se acomodar em uma vida assim. Não seja um deles. Ninguém precisa viver desta maneira. A oração é a chave da revelação do poder prevalecente de Deus em sua vida.

No momento em que Moisés fez a conexão entre a oração e o poder de Deus, ele decidiu passar o resto do dia orando pela atuação de Deus na batalha. Seus braços, contudo, se cansa­ram. Ele sabia que não devia soltá-los ao longo do corpo, pois já agira assim e vira suas tropas serem abatidas. Os dois ho­mens que o acompanharam até o alto do monte acharam uma pedra para que se sentasse. Depois, cada um segurou um de seus braços, ajudando-o a mantê-los erguidos. Que quadro! Moisés sendo apoiado por pessoas solícitas, prontas a auxiliá-lo a manter o poder fluindo. Não é preciso dizer que Israel venceu a batalha naquele dia.

Você está cansado de orar? Sente que suas orações são inefi­cazes? Pergunta-se se Deus está mesmo ouvindo? Neste livro eu gostaria de fazer o papel de um dos amigos de Moisés, aju­dando-o a manter seus braços erguidos até o final do dia para que a vitória seja sua. Eu gostaria de ser usado por Deus para inspirá-lo a perseverar na oração, não importa o quão desani­mado esteja se sentindo agora.

Sei que Deus responde as orações. Ele responde as minhas e responderá as suas também. Mais que isto, Ele deseja ouvi-lo. Sua experiência de oração começa com a disposição de Deus em ouvir você.

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  1. #1 por jose wagner barbosa em 26 | julho | 2010 - 13:19

    gostei do comntario e gostaria de me manter informado

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